NR-1 - Está pronto para o dia 25 de Maio?
- Paula Negri

- 13 de mai.
- 9 min de leitura
🗓️ A partir de 25 de maio de 2026 as fiscalizações referentes ao tema da NR-1 já podem iniciar.
Está perdido sobre que caminho seguir para cumprir com a norma regulatória e não sabe nem por onde começar?
Venha comigo neste artigo que te ajudo:
* O que é a NR-1 e por que ela ganhou relevância agora?
* O que mudou na prática com a inclusão dos riscos psicossociais?
* O que são os riscos psicossociais e como a empresa pode medí-los?
* Quem precisa ser cumprido e quais empresas devem ficar mais atentas?
* Por onde a empresa deve começar a adequação?
* O que precisa estar comprovadamente implementado?
* Como a fiscalização pode acontecer?
* Que tipos de autuação e multa podem ocorrer?
* Qual o papel da liderança e do RH?
* Checklist final de conformidade.
Pegue seu computador 💻, abra em notas e comece a planejar os seus próximos passos! Boa Leitura! 📖
A NR-1 é a norma-base do sistema de saúde e segurança do trabalho, que passou a exigir um olhar mais estruturado sobre gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais como sobrecarga, assédio, pressão excessiva, baixa autonomia e conflitos de trabalho.
Quem realmente precisa se preocupar com a NR-1
De forma geral, toda empresa com empregados contratados pelo regime CLT deve atender à NR-1.
Existem exceções pontuais, como:
MEIs sem empregados
algumas microempresas e empresas de pequeno porte em atividades de baixo risco.
Mas, na prática, as empresas que mais precisam de atenção são aquelas que:
possuem equipes maiores ou em crescimento
têm operação com metas agressivas ou alta pressão
apresentam sinais de turnover, absenteísmo ou afastamentos
já enfrentaram conflitos internos, denúncias ou problemas de clima
têm lideranças com grande impacto direto na rotina das equipes
Ou seja: não é só sobre porte, é sobre complexidade e risco real da operação.
O que a empresa precisa garantir
Na prática, a empresa precisa demonstrar que não apenas “conhece” o risco, mas que o identifica, avalia, controla, monitora e revisa periodicamente. Isso normalmente envolve atualizar ou estruturar o PGR (explicarei melhor sobre ele logo abaixo), definir responsáveis, mapear fatores de risco, registrar evidências de ações preventivas e acompanhar indicadores que mostrem se as medidas estão funcionando.
Também é importante que a empresa consiga provar que a prevenção não ficou só no discurso. Entram aqui treinamentos, comunicação interna, canais de escuta, registros de tratamento de queixas, medidas de apoio e ações sobre organização do trabalho, carga, liderança e clima.
Por onde começar
Um dos pontos centrais dessa adequação é o PGR, o Programa de Gerenciamento de Riscos. Em termos simples, ele é o documento que formaliza como a empresa identifica, avalia, controla e acompanha os riscos ocupacionais existentes em suas atividades, dentro da lógica do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais prevista na NR-1. Não se trata de um papel meramente burocrático: o PGR é a evidência concreta de que a organização estruturou seu processo de prevenção e consegue demonstrar, de forma documentada, quais riscos reconhece, que medidas adotou e como acompanha a efetividade dessas ações.
A responsabilidade legal pelo PGR é da própria organização. Isso significa que a empresa não transfere sua obrigação apenas por contratar uma consultoria ou delegar o tema ao RH, ao jurídico ou à área de segurança do trabalho. Na prática, a elaboração costuma ser conduzida por profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho, como técnicos, tecnólogos ou engenheiros de segurança, com profundidade compatível com a complexidade dos riscos e da operação. Mas independentemente de quem redige o documento, a responsabilidade por mantê-lo válido, atualizado e aderente à realidade da empresa continua sendo do empregador.
No contexto atual da NR-1, isso ganha ainda mais importância porque o PGR deixa de ser visto apenas como uma peça voltada a riscos físicos, químicos ou ergonômicos e passa a integrar também a lógica de prevenção de fatores psicossociais, quando aplicáveis ao trabalho e à organização laboral. Em outras palavras, se a empresa enfrenta sinais recorrentes de sobrecarga, assédio, metas desorganizadas, baixa autonomia, conflitos crônicos ou pressão excessiva, ela precisa demonstrar que esse cenário está sendo analisado sob a ótica de risco ocupacional, e não apenas tratado como problema difuso de clima ou gestão.
Por isso, um bom ponto de partida para adequação é perguntar: a empresa possui PGR? Ele está atualizado? Reflete os riscos reais da operação? Há plano de ação, responsáveis definidos, evidências de implementação e revisão periódica? Se a resposta for negativa ou parcial, esse é provavelmente o primeiro gap a ser tratado antes mesmo de avançar para um discurso mais amplo sobre conformidade.
Pós-atualização e análise do PGR vá então para o diagnóstico realista da organização. Isso significa olhar para as áreas com mais pressão, mapear sinais de adoecimento, entrevistar lideranças e colaboradores, revisar jornadas, cargas e processos e identificar onde os riscos psicossociais estão mais concentrados.
Depois disso, a empresa deve transformar o diagnóstico em um plano de ação com prioridades, prazos, responsáveis e forma de acompanhamento. Não basta listar problemas. É preciso mostrar governança, execução e revisão contínua.
Riscos Psicossociais 👩🏻⚕️❤️
Os riscos psicossociais são fatores relacionados à organização e à experiência do trabalho que podem afetar a saúde mental, emocional e até física das pessoas. Eles não estão ligados apenas a acidentes ou agentes físicos, mas à forma como o trabalho é desenhado, liderado e vivido no dia a dia: excesso de carga, baixa autonomia, pressão por resultado, conflitos constantes, falta de apoio, assédio e comunicação ineficaz são alguns exemplos recorrentes.
Porém, identificar o que é risco psicossocial é apenas o primeiro passo. O desafio real está em medir esses sinais de forma estruturada, para que a empresa consiga sair da percepção subjetiva e chegar a uma gestão baseada em evidências. Isso pode ser feito por meio de pesquisas de clima e bem-estar, entrevistas com colaboradores, análise de absenteísmo, turnover, afastamentos, horas extras, queixas formais, resultados de canais de escuta e observação dos pontos de maior pressão operacional.
Na prática, medir riscos psicossociais significa cruzar dados quantitativos e qualitativos para entender onde o trabalho está se tornando fonte de adoecimento, desgaste ou perda de desempenho. Não basta perguntar se as pessoas estão bem; é preciso investigar padrões, causas e áreas críticas, para então definir ações concretas de prevenção e correção.
Como documentar, tratar de fato as demandas e ter evidências tangíveis
Na prática, falar que a empresa “se preocupa” com saúde mental ou com o ambiente de trabalho já não é suficiente.
O que a NR-1 exige — e o que a fiscalização começa a olhar — é se essa preocupação virou rotina, processo e registro.
E aqui entra um ponto que muita empresa ainda subestima: evidência. Não como burocracia, mas como prova de que a gestão acontece de verdade.
Outro ponto essencial é a comunicação. Treinamentos, orientações e alinhamentos precisam acontecer e, mais do que isso, precisam ser registrados. Não para “provar que fez”, mas para garantir consistência e continuidade.
Os canais de escuta também ganham outro peso. Não basta existir um canal — é preciso que ele funcione. Que as pessoas usem, que as demandas sejam tratadas e que exista algum tipo de rastreabilidade do que foi feito com cada situação.
E, talvez um dos pontos mais sensíveis: como a empresa apura e responde às queixas. Não se trata apenas de receber relatos, mas de investigar, agir e registrar essas etapas com cuidado.
Entram aqui evidências como:
PGR atualizado e aderente à realidade
Plano de ação com responsáveis e prazos (planilha Excel com atualização mensal)
Registros de treinamentos e comunicações
Canais de escuta ativos e com tratamento de demandas
Dados de acompanhamento (absenteísmo, turnover, afastamentos, horas extras)
Registros de apuração e resposta a queixas
Sem isso, a empresa não demonstra gestão — apenas intenção.
Fiscalização e multas 👮
A fiscalização da NR-1 é conduzida pela Auditoria-Fiscal do Trabalho e pode começar pela checagem documental do PGR, evidências de gerenciamento e registros de ações preventivas. Em alguns casos, pode haver orientação inicial, mas a ausência de evidências de gestão já pode caracterizar infração formal a partir de 26 de maio de 2026.
Quanto às multas, os valores variam conforme o enquadramento, a gravidade e o porte da empresa. Algumas matérias citam faixas de R$ 670 a mais de R$ 6.700 por infração, podendo subir bastante em caso de reincidência ou de irregularidades mais graves, ultrapassando os R$ 25.000. O ponto principal é que o risco não é só financeiro: a empresa também pode sofrer autuações sucessivas, exigências de correção e exposição trabalhista e reputacional.
Dicas em caso de fiscalização:
1. No Momento da Chegada (Imediato)
Solicite a Identificação e o Mandado: Verifique a carteira de identidade funcional do agente. No caso de fiscalização da Receita Federal, é obrigatório o "Mandado de Procedimento Fiscal" (MPF).
Verifique o Escopo: Entenda exatamente o que será fiscalizado (documentos trabalhistas, notas fiscais, segurança do trabalho).
Designe um Responsável: Apenas uma pessoa (geralmente gerente de RH, contador ou gestor) deve acompanhar o fiscal para evitar informações contraditórias.
2. Durante a Fiscalização
Apresente apenas o solicitado: Não forneça documentos extras que não foram solicitados, pois isso pode gerar novas autuações.
Organização é chave: Mantenha a documentação organizada (contratos, registros de ponto, folhas de pagamento, guias de FGTS/INSS, ASOs).
Não oculte nada: A omissão de documentos é um dos erros mais graves, resultando em multas elevadas.
Respostas Precisas: Se houver dúvidas ou questionários, a empresa deve apresentar sua versão com cautela. Não é obrigatório responder imediatamente a questionários que possam comprometer a empresa.
3. Pós-Fiscalização e Direitos
Acompanhe o relatório: Após a vistoria, o auditor emitirá um relatório ou auto de infração.
Recurso Administrativo: Se a empresa não concordar com a autuação, ela tem o direito de apresentar defesa administrativa dentro dos prazos legais.
Verifique o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET): Fique atento às notificações eletrônicas, pois o sistema considera o documento lido automaticamente após um prazo, mesmo sem acesso.
Auditorias Internas: Realize auditorias periódicas para identificar falhas antes da fiscalização.
Papel da liderança
A NR-1 não é só um assunto de Saúde ou Segurança do Trabalho ou RH, ela exige comportamento gerencial consistente. A liderança passa a ser parte da prevenção quando organiza o trabalho de forma saudável, reduz ambiguidades, combate práticas abusivas e acompanha sinais de sobrecarga ou desgaste.
Isso muda o dia a dia da gestão porque o líder deixa de ser apenas cobrador de resultado e passa a ter responsabilidade sobre a forma como o resultado é produzido. Em outras palavras, a empresa não vai conseguir cumprir a norma só com documento; vai precisar mudar práticas.
Agora, mais do que nunca, usar as ferramentas disponibilizadas pelo RH fará muita diferença e será o suporte de que o gestor precisa para ser efetivo em seu papel de gestor de pessoas. O PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) pode ajudar a transformar conversa em compromisso real; feedbacks assertivos, transparentes e genuinamente com intenção de ajudar o outro a ser melhor criam histórico e mostram padrões; pesquisas de clima revelam problemas antes que virem crise. Registre acordos e ações simples — data da conversa, responsabilidades, próximos passos — para que o cuidado não dependa só da boa memória. Quando chegar uma queixa, trate com seriedade. Abra apuração, envolva o RH quando preciso, proteja confidencialidade e documente cada etapa. Esses registros não são "burocracia": são a prova de que a liderança fez o que devia.
Em suma, liderança é atenção + ação + registro. A empresa deve deixar de ter intenção para ter gestão real.
Check List de Conformidade 📋
Antes de apresentar o checklist, é importante lembrar que conformidade não é um ponto de chegada — é um processo contínuo. O objetivo deste teste rápido é ajudar gestores e equipes a identificarem lacunas práticas: o que já está implementado de fato, o que depende de ajustes e o que precisa ser iniciado com prioridade.
Use o checklist a seguir como ferramenta de verificação operacional: responda com honestidade, documente as evidências correspondentes e transforme cada item não atendido em ação com responsável e prazo. Isso garante que o PGR e as políticas da empresa deixem de ser apenas boas intenções e se tornem prova concreta de gestão.
Se você quiser um teste rápido de aderência, comece por aqui:
A empresa possui PGR formalizado?
O documento está atualizado e reflete a operação atual?
Os riscos psicossociais foram identificados onde aplicável?
Existe avaliação de risco com priorização clara?
Há plano de ação estruturado com responsáveis e prazos?
As ações foram implementadas e registradas?
Existem indicadores sendo monitorados regularmente?
Há evidências de revisão periódica do PGR?
A empresa possui canais de escuta e tratamento de queixas?
Lideranças foram orientadas ou treinadas sobre riscos psicossociais?
Existem registros que comprovem atuação sobre problemas identificados?
🚨Se várias respostas forem “não” ou “mais ou menos”, o risco não está só na operação — está na fiscalização.
A NR‑1 não é um tema para documentos bem escritos. É um convite real e necessário à mudança concreta. Empresas que transformam intenção em evidência — PGR vivo, liderança atuante, ferramentas de RH integradas e registros que comprovem decisões — não só reduzem riscos, mas demonstram responsabilidade e respeitam quem faz o trabalho acontecer. E se sua liderança ainda pensa que oferecer um bom salário resolve tudo, é hora de mudar o olhar e acompanhar a mudança dos últimos 10 ou 15 anos do mercado: o mundo do trabalho mudou e bem-estar, sentido e forma de organizar o trabalho já contam tanto ou mais do que a remuneração.
Se a sua organização ainda depende de boa vontade para gerir saúde e segurança, o momento de agir é agora: fiscalizações, passivos e, sobretudo, vidas dependem disso.




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